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PENSAMENTOS DE PADRE ROTONDI. |
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"São diversas as manifestações do Espírito.
O Espírito Santo está presente na Igreja e actua nela. Desta acção nasce
a unidade ( é próprio do amor e do infinito Amor: unificar ) e surgem na
Igreja os carismas, isto é, os dons: são diversos – devem ser diversos –
deixando que permaneçam diferentes uns dos outros, quer os membros da
Igreja universal, quer os das pequenas comunidades eclesiais
particulares.
A todos, o Espírito concede
uma ‘manifestação’ particular própria ( cf. 1Cor 12, 7 ), segundo os
diversos tempos, os diversos lugares e as diversas circunstâncias.
Isto significa que nenhum de
nós poderá jamais pensar que é “todo o corpo” e nenhum de nós poderá
julgar que tem o “monopólio” do Espírito Santo.
Nenhum de nós O esgota. Os
dons que Ele nos dá devem estar ao serviço dos outros; foi para todos os
outros que os recebemos.
Devemos continuar a invocar o
Espírito. Em cada uma das Suas vindas, em cada uma das Suas descidas, a
terra – que cada um de nós é e que todos nós somos – será ‘renovada’".
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25 DE
MARÇO: ANUNCIAÇÃO DO SENHOR
Fixemos o nosso olhar naquele “fiat”.
“A Virgem de Nazaré é, por ordem de Deus, saudada pelo Anjo da
Anunciação como cheia de graça. E Ela responde ao celeste mensageiro:
“Eis a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra”. Assim,
Maria, aderindo à Palavra de Deus, tornou-se mãe de Jesus...
consagrou-se totalmente – qual escrava do Senhor, à pessoa e à obra do
seu Filho, servindo o mistério da redenção” (LG 56).
Estamos perante um momento que não hesito em chamar ‘único’ na história
da salvação.
Maria – criatura única – vive um momento inefável.
Na cena da anunciação – chamemos-lhe assim – está, eficazmente presente,
Deus: Pai, Filho e Espírito Santo. Maria, consciente de tudo isto,
exprime o seu consentimento, a sua aceitação dizendo: “Eis a escrava do
Senhor: faça-se em mim, segundo a tua palavra”. ( Lc. 1, 38 )
Quando penso em Maria e desejo acolher a profundidade da sua existência,
fixo o olhar naquele “fiat mihi secundum verbum tuum”.
O convite à “santa novidade”.
“Pedimos-te, ó Senhor, que nos livres de tudo o que é ‘velho’ na
nossa alma e transforma-nos em novas criaturas”.
O velho das nossas almas é tudo aquilo que tem a marca de Deus que nos
plasmou no acto da nossa criação.
O “velho” é cansaço, indisponibilidade, esclerose. Verifica-se no corpo
e, também, na alma. Mas, se no que diz respeito ao corpo, não há nada a
fazer, com a alma a operação de ‘rejuvenescimento’ pode ser fulminante e
o resultado estupendo.
É “velho” em nós tudo quanto é preguiça, azedume; tudo quanto é rotina;
tudo o que pareça estar sem alma, pela frieza e pela estreiteza de
espírito; tudo quanto seja inveja, rancor, divisão, contenda.
É “velho” tudo quanto signifique adesão à ‘forma’, esquecendo a
substância, valorizando minuciosidades em desfavor da delicadeza de
alma.
“Velho”, por outro lado, é a mania inquieta – e irrequieta – de reduzir
ao mínimo tudo quanto saiba a exigência, a linha de rumo, a conduta de
vida: por amor a uma liberdade que não é a de Cristo. Ele disse:
“Aprendei de Mim que sou... humilde de coração” e acerca de Si fez o
Apóstolo Paulo escrever: “... fez-se obediente até à morte e morte de
cruz” ( Fil. 2, 8 ).
O convite é à “santa novidade” que a Páscoa significa e propõe.
P. Virgínio Rotondi.
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“À multidão que se reunia à sua volta, Jesus falou assim: ‘ Eu sou a
luz do mundo; quem Me segue não anda nas trevas, mas terá a luz da vida
’ ( cf. Jo. 8, 12 ).
Deus fez-nos filhos da luz quando nos fez Seus filhos.
Estejamos atentos para não cairmos nas trevas do erro. Procuremos ser
luminosos pelo esplendor da verdade, isto é, por aquele esplendor que
nos vem de Cristo que disse: ‘ Eu sou a Verdade ’ ( Jo. 14, 6 ) e
que rezou: ‘ Santifica-os na Verdade ’( Jo. 17, 17 ).
Só assim realizaremos o que Cristo disse: ‘ Vós sois a luz do mundo ’
( Mt. 5, 14 ) e, só assim, obedeceremos ao apelo que Ele nos faz:
‘ Resplandeça a vossa luz diante dos homens para que, vendo as vossas
boas obras, glorifiquem o vosso Pai que está nos céus ’ ( Jo. 5, 16 ).”
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“Ao partir deste mundo, Jesus disse: ‘ Deixo-vos a paz; dou-vos a
minha paz. Não se perturbe o vosso coração. Não tenhais medo’ (cf. Jo.
14, 27).
Neste desejo de Jesus, nosso Senhor, estão contempladas, obviamente,
todas as pessoas, mesmo as de hoje.
Ele pede-nos para estarmos em paz com Deus, em perfeita paz com
Deus. Nós sabemos que a paz – segundo a clássica definição de Santo
Agostinho – ‘é tranquilidade na ordem’. Sabemos que há ordem onde cada
coisa está no seu lugar. Sabemos que Deus está no Seu lugar em todos os
lugares. Sabemos, por isso, que cada lugar, todo o lugar é de Deus. Que
Deus esteja em nós. Esteja em todos os lugares que nos formam: na mente,
na vontade, nos sentidos. Que Deus preencha – somente Ele e inteiramente
– a nossa vida.
Ele pede-nos para estarmos em paz com o próximo, dando ao
próximo, antes de mais, aquilo que ele espera (e será o exercício da
justiça); dando, também, tudo aquilo que podemos dar-lhe (e será o
exercício, porventura heróico, do amor). É pelo cumprimento deste
mandamento que os homens reconhecerão que somos Seus discípulos ( cf. Jo.
13, 34 ).
Ele pede-nos para estarmos em paz connosco mesmos. Pede que em
nós haja paz e tranquilidade da ordem. Pede que cada componente do nosso
ser esteja no seu lugar, realizando a sua função. Pede que as paixões
estejam submetidas à razão e a razão à fé. Pede que as exigências do
corpo estejam subordinadas às da alma e que as exigências da vida humana
estejam subordinadas às da vida divina. Esta subordinação – exactamente
porque põe ordem em nós – dá-nos a paz e a verdadeira liberdade”.
P. Virgínio Rotondi.
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"São “música” os pensamentos que, neste tempo de Advento, a liturgia põe
na nossa alma para tornar mais fervorosa a atitude de espera do Natal.
Mas este sentido de espera deve tornar ainda mais clara, forte e
resoluta a voz de João Baptista que anuncia: ‘Preparai o caminho a
Jesus’ ( Cf. Lc 3, 4 ).
Pensando no Jesus que aparecerá nos nossos presépios, não podemos
esquecer a Sua vinda que o mundo, inconsciente mas realmente, implora.
Unamo-nos, com todo o nosso ardor, à invocação da Santa Mãe Igreja que
diz, repetindo e elevando a Deus o profundo lamento do Profeta Isaías: “
Vê, ó Senhor, a tristeza do Teu povo e manda-nos Aquele que deve vir ”.
Que Jesus venha às nossas almas, à nossa mente e ao nosso coração e seja
Ele a viver, servindo-se da nossa vida."
P. Virgínio Rotondi.
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“
Somos chamados a ser apóstolos. Todos somos chamados: na vida de
especial consagração religiosa – como acontece comigo – ou na vida que é
própria da maior parte, permanecendo no mundo, agindo no interior do
próprio mundo, com os meios lícitos que o mundo oferece e que são,
especialmente hoje, muitos.
Deus chama-nos a ser apóstolos e fá-lo directamente ou através dos
outros.
Só poderemos ser apóstolos verdadeiros, autênticos, se respondermos a
duas condições irrenunciáveis:
-
devemos declarar-nos disponíveis no confronto com a palavra que vem de
Deus, qualquer que seja. ‘Senhor, que queres que eu faça?’ significa:
onde queres que eu vá; onde queres que eu esteja; estou pronto para
fazer, para não fazer, para mover-me, para ficar parado; estou pronto
para qualquer que seja o teu aceno.
-
devemos anunciar o Evangelho de Cristo e só o Evangelho de Cristo:
anunciá-lo por inteiro, anunciá-lo a todos, sem acrescentar nada, sem
apagar nada, mesmo que seja um simples jota, como disse Jesus ”.
P. Virgínio Rotondi.
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“
Este tempo, tempo da Igreja, é o tempo do Espírito Santo.
A
sua presença unifica-nos e liga-nos a Jesus Cristo e a todos os
cristãos. Pelo Espírito, os cristãos unem-se uns aos outros em
verdadeira comunhão, tornando-se dinamismo interior da própria Igreja.
É
estranho que o Espírito esteja ausente da nossa vida. Mais estranho é
que as nossas invocações, as nossas orações, a nossa atenção não se
voltem mais vezes para Ele. Quem O conhece, quem o guarda junto a si,
vivo no seu íntimo, acredita que Ele move, hoje, a Igreja com o mesmo
ímpeto do dia de Pentecostes. Ele convida a fazer tudo... a fazê-lo
totalmente... a fazê-lo apontando para o essencial. O tudo, o urgente, o
essencial é, hoje mais do que nunca, o AMOR ”.
P. Virgínio Rotondi
(tradução livre de ‘Crescere’).
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"Cada um de nós deveria ser um artista.
Na tela da nossa consciência,
deveríamos retratar Jesus - modelo divino – não copiaando-O como um
desenhador ou como um fotógrafo, mas exprimindo o seu ser, como faz
o pintor de talento que assimila e reflecte a vida do seu modelo,
mais do que o seu aspecto exterior ou os seus sinais particulares.
Deveremos ficar sempre insatisfeitos
com a nossa obra, porque o nosso modelo é, também, um mestre
eloquente e exigente que nos olha, nos estimula e não nos dá
descanso.
Devemos contemplá-lO - fixamente,
atentamente, em permanente tensão, da direita e da esquerda, de
perto e de longe – nos seus nítidos contornos, nos seus matizes, nos
seus reflexos luminosos e na densidade dos seus sombreados.
Neste trabalho, que dura toda a vida,
devemos amar o nosso modelo;
amá-lO até ao ponto de nos
identificarmos com Ele;
de viver a claridade do seu olhar;
de fazer concordar o nosso coração com
o bater do Seu coração;
de assumir os seus desejos e as suas
esperanças;
de querer a sua sede de sacrifício;
de sacrificar-se n’Ele."
P. Virgínio Rotondi.
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